Por ser coisa, assim, tão simples
riem-se os outros de mim.
Mas eu sinto um grande medo
de chamar-te, ou algo assim.
Talvez, quem sabe, um fonema,
um murmúrio, um soluçar,
uma palavra pequena,
um gesto, um riso, um olhar.
Ao invés disso, me escondo
na noite que sobrevém.
Não me vês, nem eu te escuto,
tu vestes negro, também.
Assim, enquanto tememos,
pequenos, surdos, tão sós,
os dois, no escuro, não vemos,
a vida passar por nós.
